ocupa

ESTéticas

Galeria Paralela apresenta ESTéticas, ocupação no OASIS por elas, artistas emergentes de diferentes partes do Brasil. As linguagens poéticas se apresentam com o entendimento da pluralidade estética e a percepção subjetiva do sensível.

 

Pinturas, objetos reflexivos, esculturas, ilustrações digitais, apropriações de objetos, performance, implantam e ecoam a contracultura e a subversão em relação às lógicas hegemônicas e ocupam o espaço arquitetônico com fortes aspectos formais, se expandindo até as ruas da cidade.

 

Uma vez reunidas na exposição, as obras dialogam entre si rompendo com o entendimento da universalidade ética. O maior desafio é sensibilizar o espectador para a importância do convívio com as diferenças e a relevância do fazer artístico.

GALERIA PARALELA

curadoria

Marina Ribas

assistente de curadoria

Nathalia Perico

design expositivo

Marina Ribas

Nathalia Perico

OASIS

produção executiva

Rodrigo Magalhães

produção executiva

Lisa Noronha

Cláudia Costa

museologia

Cláudia Costa

comunicação

Dominique Valansi

montagem

Victor Monteiro

agradecimentos

Mariana Zonenschein

Eduardo Blumberg

Silk Atelier

​Rádio SAARA

assistente de produção

Andreia Silva

Juci Flôr

Leandro Silva

artistas

Barbara Venosa

Diana Lobo

Gabriela Fero

Joana Uchôa

Marcela Crosman

Marina Ribas

Marina Ryfer

Patricia Borges

Sofia Junqueira

Sofia Saleme

Talitha Rossi

Yacunã Tuxá

Diana Lobo

Sincronia, 2021

Metal e acrílico sobre madeira 

76 x 46 x 3 cm [A x L x P]

Diana Lobo

Planos, 2021

Metal sobre madeira 

75 x 43 x 5 cm [A x L x P]

Talitha Rossi
Epa Babá, 2021
Cabelo artificial e tecidos diversos adornados com bordados de quartzo e pedrarias variadas

120 x 172 x 60 cm [A x L x P]

Marina Ryfer
Entre nós I, 2019
Corda de polipropileno, fita de led e mistura de cimento

300 x 30 x 30 cm [A x L x P]

Marina Ryfer
Blecaute, 2021

Elástico, roldana de ferro, corda de poliéster e mistura de cimento

300 x 30 x 30 cm [A x L x P]

Yacunã Tuxá
La Mujer Salvaje II, 2020
Ilustração em serigrafia sobre tecido
160 x 100 cm [A x L]

Joana Uchôa

Muito tempo, 2020

Série Entulhos

Lambe-lambe sobre entulho

70 x 50 cm [A x L]

Joana Uchôa

Pingos grossos, 2020

Série Entulhos

Lambe-lambe sobre entulho

70 x 50 cm [A x L]

Joana Uchôa

Calor, 2020

Série Entulhos

Lambe-lambe sobre entulho

52 x 50 cm [A x L]

Gabriela Fero
Sertão, 2021
Óleo e acrílica sobre lona

200 x 330 cm [A x L]

Marina Ribas
Sem título, 2021
Tijolos, biscuit e pigmento
150 x 100 x 60 cm [A x L x P]

Marina Ribas
Sem título, 2021
Espuma, cimento, pigmento

e tijolos.
50 x 75 x4 5 cm [A x L x P]

Patricia Borges
Because I've Lived Many Lives Before , 2021

Técnica Mista; Parafina, ceras, breu, vidro, cabelo humano, fio de aço, carbeto de silício, chumbo, sal grosso, unhas postiças, fuligem, metais banhados à ouro, linha de sutura, pirita, folha de ouro, nitrato de cobre, emulsão metálica, comprimidos, cílios postiços, agulhas de acupuntura e abelhas

40 x 200 x 3 cm [A x L x P]

Marcela Crosman
Transitórias, 2021
Aço carbono, plástico PET e pintura automotiva
210 x 60 x 12 cm [A x L x P]

Marcela Crosman
Transistor II, 2021
Aço carbono, plástico PET e pintura automotiva.
60 x 81 x 9 cm [A x L x P]

Sofia Junqueira
Goela abaixo, 2020
Série Goela Abaixo
Performance
Vídeo: Luís Oliveira
2'32"

Sofia Junqueira

Encomendas delicadas, 2021

Performance

Marina Ribas
Sem título, 2021
Espuma, cimento,e tijolos
75 x 75 x 70 cm [A x L x P]

Talitha Rossi
Ventre, 2015
Bordado de pedraria sobre fios turcos e lãs diversas
100 x 50 x 50 cm [A x L x P]

Talitha Rossi
Nova era, nova Eva, 2016

Série Yabás

Bordado de pedraria sobre fios turcos, retalhos de tecidos e lãs exóticas

170 x 70 x 17 cm [A x L x P]

Yacunã Tuxá
Filhas da terra e suas resistências invisíveis, 2020
Obra criada para o programa “IMS Quarentena – Programa Convida” (www.ims.com.br)
Ilustração digital. Reprodução em lambe-lambe.
60 x 110 cm [A x L]

Barbara Venosa
Partida, 2021
Série Objetos Reflexivos
Acrílico espelhado e letras de acrílico
50 x 50 x 50 cm [A x L x P ]

Barbara Venosa
Partida, 2021
Série Objetos Reflexivos
Acrílico espelhado e letras de acrílico
50 x 50 x 50 cm [A x L x P ]

Barbara Venosa

Desfalologia, 2020

Série Desfalo

Impressão sobre acrílico espelhado

40 x 71 x 0,5 cm [A x L x P]

Barbara Venosa
Vão, 2021
Série Objetos Reflexivos
Acrílico espelhado e vinil

30 x 30 x 30 cm [A x L x P ]

Diana Lobo
Suspensão, 2021

Metal sobre madeira
55 x 34 x 3 cm [A x L x P]

Sofia Saleme

Wabi sabi, 2021

19 esculturas em cerâmica e pó de ouro

15 x 15 cm [A x L | Cada] (aproximadamente)

Sofia Saleme

Wabi sabi, 2021

Cerâmica e pó de ouro

10 x 10 x 10 cm [A x L x P]

Sofia Saleme

Wabi sabi, 2015

Cerâmica e pó de ouro

10 x 10 x 10 cm [A x L x P]

Sofia Saleme

Wabi sabi, 2021

Cerâmica e pó de ouro

10 x 10 x 10 cm [A x L x P]

Sofia Saleme

Maria Julieta, 2021

Azulejos cerâmicos e pó de ouro

10 x 10 x 10 cm [A x L x P]

saiba mais sobre as artistas

Barbara Venosa, carioca, 42 anos, é poeta visual e pesquisadora instigada pela força do discurso e sua capacidade inerente de constituir realidade. Sua pesquisa de doutorado na área de Estudos Sociodiscursivos gira em torno dos impactos dos discursos circulantes e dominantes sobre as construções de gênero e do papel do sutil nos processos de naturalização de assimetrias sociais.

 

É, então, através da palavra - sua matéria prima - que se permite  extrapolar os limites do texto, desdobrando-o em formas híbridas de expressão artística. 

 

O poema visual "Desfalologia" desnuda edificações hegemônicas sobre o feminino e espelha sua desconstrução, inaugurando, em seu fazer artístico, um dialogismo palavra-coisa.

Nascida em 1984 no Rio de Janeiro, Diana Lobo explora a literatura autoral e as diversas nuances do texto escrito, tendo encontrado na poesia concreta - e posteriormente na poesia marginal, um elo de interesse com as artes visuais. Sua pesquisa se volta à busca da conciliação do texto escrito com a linguagem plástica, seja através do uso das palavras em poemas-objetos ou as incorporando de forma oculta, utilizando a poesia como ponto de partida para a criação.

 

Em sua primeira participação em uma exposição internacional, apresentou a instalação Fuga no Arte Laguna Prize em Veneza. O trabalho imersivo abordava questões ligadas à auto-expressão e à feminilidade. Diana também está publicando seu primeiro livro de poesia, a Nudez e a Palavra, em 2021.

Artista brasileira. Radicada no estado do Rio de Janeiro, Gabriela Fero vive e trabalha entre Macaé e a capital carioca. Partindo de uma perspectiva latino-americanista e contra-hegemônica, suas pinturas buscam apontar mecanismos da ideologia dominante através de abstrações reais. A expropriação de símbolos e signos pertencentes à indústria petrolífera são relacionais à expansão e decadência de uma Macaé petrolífera e à crítica ao capital.

 

Construindo uma poética de enfrentamento, Fero se utiliza da realidade material concreta da sociedade para a engrenagem do processo artístico, marcadamente atravessado pela representação de sujeitos reificados e o uso da violência defensiva como parte constitutiva do processo histórico. Para isto, a artista transita, dialeticamente, entre ficção e materialidade, voltando elementos da ordem burguesa contra seus próprios referentes.

 

Em 2019, participou de sua primeira exposição coletiva, “Intersecções Poéticas”, expondo ao  lado de  artistas  como Anna Bella Geiger, sob curadoria de  Fernando Cocchiarale e Patricia Toscano. Em 2020, foi selecionada para o  projeto  de  residência artística  da  Galeria Refresco (Rio de Janeiro) e uma das finalistas ao Prêmio DasArtes 2021 pela Revista DasArtes. Participou da coletiva “ENTRECORPOS” na Galeria Paralela (Rio de Janeiro) e atualmente integra a exposição "Meu Corpo Todo Sente" na galeria Casa Bicho (Rio de Janeiro). Frequenta a  Escola de  Artes   Visuais do Parque  Lage  desde 2017.

Joana Uchôa é artista visual, nascida e criada no Rio de Janeiro, formada em Pintura na Escola de Belas Artes da UFRJ e professora de desenho e pintura. Seu trabalho materializa-se em diversos meios, incluindo a pintura, desenho, fotografia, videoarte e texto. A pesquisa em que mergulha trata, em suma, de um passeio pela estética da contação de histórias carioca. A partir de ferramentas-gambiarra como o celular, entulhos encontrados na rua e o movimento do improviso, reúne anotações de formato diversos que a atravessam em seu cotidiano e formam o léxico a ser explorado em sua produção.

Marcela Crosman (1983) é artista plástica e pesquisadora. Seu interesse é em transitar por dinâmicas alternativas à nossa realidade datificada. Seus objetos tridimensionais apresentam circuitos críticos e fluídos como escape das direções recomendadas por algoritmos. Suas instalações virtuais abrem espaço para sua investigação sobre as abordagens humanas na construção dos ambientes artificiais. 

 

Seu trabalho de Arte começa em 2013 através da exploração da cerâmica como suporte, porém se apropria de sua real linguagem após uma experiencia com bugs digitais que a leva para uma residência em Novas Mídias na School of Visual Arts (NY) em 2018. Atualmente seu trabalho se desenvolve através de softwares digitais, ligas metálicas, imãs, silício e formas vetorizadas. Com estas matérias ela esboça protótipos de colaboração criativa com sistemas de inteligência artificial. Seu mestrado em I.A. Criativa (concluído em maio de 2021) serve de insumo racional para sua sensibilidade e intuição em sua produção atual. Seus trabalhos já foram apresentados em outras 3 exposições coletivas da Galeria Paralela - Casa Carambola (2019), Casa França-Brasil (2019) e online (2020). 

Marina Ribas nasceu em 78 no Rio de Janeiro, cidade onde vive e trabalha. Sua primeira aula de cor, aos três anos, foi em meio a natureza com seu avô em cachoeiras nas Serras Gerais, e logo teve seu ingresso em escola construtivista. Seguindo o interesse por criação em 98, trabalhou como assistente do arquiteto Hélio Pellegrino, com quem teve a oportunidade de restaurar esculturas, trabalhar com acabamentos de interior extremamente artesanais em arquitetura,  além de garimpar materiais em centros de demolição, ferro velhos, caçambas e antiquários, tanto no Brasil e quanto em Portugal. Nos anos seguintes formou-se em design na PUC-Rio, e seguiu com seu próprio atelier no Leblon em parceria com atual restauradora e conservadora de obras de arte Laura Guimarães. Atua no campo da moda por anos como cenógrafa e designer criativa.

 

Marina fez duas exposições individuais com curadoria de Fábio Szwarcwald, ex presidente da EAV e atual diretor do MAM-Rio, com texto crítico de Ulisses Carrilho, curador da EAV; além de coletivas na Casa Carambola - onde já possuiu atelier e foi artista residente - e na Casa França-Brasil. Em 2020 participou de duas exposições coletivas: Buraco e O que resta?, ambas pela Galeria Paralela, que idealizou. Já participou de diversas exposições no Parque Lage. No inicio de 2020 a artista estava morando em Paris quando teve que retornar ao Brasil devido a pandemia e segue produzindo em seu atelier na Gávea e fomentando a arte feminista pela Galeria Paralela.

Marina Ryfer (1983, Rio de Janeiro) é arquiteta e uma artista visual que explora a luz como presença escultórica. Em seus trabalhos, se apropria da luz como matéria e a utiliza como parte de sua linguagem.

Costuma usar materiais comuns como cordas, lâmpadas, componentes elétricos, madeiras, espelhos e cimento para criar peças que dialogam com o ambiente. Sua prática mescla a fisicalidade da luminosidade com os efeitos sutis que a iluminação pode provocar nos espectadores.

É formada em administração de empresas pela PUC-Rio e em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula.

Fez mestrado em engenharia civil na UFF e em 2014-2015 ministrou aulas de instalações elétricas prediais no curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Santa Úrsula.

Em 2015 abriu o escritório de Arquitetura - Maru Arquitetura - e atualmente divide seu tempo entre a arquitetura, aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage e o estudo e desenvolvimento em arte contemporânea.

Patricia Borges (Rio de Janeiro, 1974) Fotógrafa e artista multimídia, usa experiências do campo da arte e da arquitetura para construir uma relação sensível com o espaço. Suas obras trazem noções de tempo, isolamento, rigor e fragilidade. Nos últimos anos, passou a utilizar a fotografia como material para compor instalações e objetos, vários deles descartados após serem digitalizados, integrando sua pesquisa sobre a efemeridade da matéria. Graduada em arquitetura, fotografia, direção de fotografia para cinema e roteiro. Premiada nas bienais de Florença e Roma. Seu trabalho foi apresentado em publicações e mostras no Brasil e exterior; e faz parte de importantes coleções particulares. Exposições recentes incluem o 228e Salon des Artistes Français, Grand Palais - Paris (2018), Tokyo Art Fair - Japão (2018), Circuito de Arte Contemporânea de Curitiba (2019), Luxembourg Art Fair (2019), Photo Israel - Tel Aviv (2019), Society of Scottish Artists Annual Exhibition - Edimburgo (2019), Festival de Tiradentes (2020), Triste Photo Days (2020), Copenhagen Photo Festival (2020) e Artexpo NY. Em 2021, recebeu o 16o Julia Cameron Awards (UK) e suas obras foram selecionadas para a FIABCN (Barcelona), COCA Project (Roma), para A Quiet Scene no Los Angeles Music Center (EUA), Eixo mostra coletiva Paralela (RJ), Cutlog moving-image coletiva na Royal Scottish Academy (UK), e para a coletiva Now no Haegeumgang Museum em Geoje na Coreia do Sul.

Sofia Junqueira é formada em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG e integra a curadoria artística do Instituto Inhotim. Ela parte do olhar aguçado para os elementos que permeiam o cotidiano e sua atenção se volta para os símbolos gráficos que recobrem caixas, embalagens, encomendas. O alerta “Frágil” vai de encontro ao corpo, tensionado a relação entre humano e objeto, delicadeza e estigmatização. Sofia já participou de exposições na Galeria Paralela (Espaço Fígital), na Galeria Mama Cadela (Belo Horizonte – MG), no Centro Cultural da UFMG, no Centro de Referência da Juventude (Belo Horizonte – MG), na Reitoria da UFMG e no Centro de Cultura de Porto Seguro (BA).

Sofia Saleme vive trabalha em São Paulo, Formou-se em Arquitetura na Escola da Cidade (2012) e fez pós-graduação em Práticas Artísticas Contemporâneas na Fundação Armando Álvares Penteado (2017). Estudou arquitetura na UPC - Universitat Politécnica de Catalunya, em Barcelona (2010) e curadoria na Sotheby’s Institute of Art, em Nova York (2014). Morou um ano em Tóquio, onde participou da residência artística AIR3331 Arts Chiyoda (2019). Participou das exposições É um solo que os outros acompanham, MAB-FAAP Edifício Lutetia, São Paulo, Brasil (2017), quando lançou a publicação VOCÊ!; Reflection, perspective, exchange (Reflexão, perspectiva, troca), AIR3331 Arts Chiyoda, Tóquio, Japão (2019); Ch.Aco 11, Chile Arte Contemporáneo em parceria com o Hermes Artes Visuais, Santiago, Chile (2020); Partes de MiM, Aguas Furtadas, Porto, Portugal (2020); Projeto Nipo-Brasileira, Think Projetos via Lei de Incentivo à Cultura, Piracicaba, Brasil (2020); Entrecorpos, Galeria Paralela, Rio de Janeiro, Brasil (2020); Projeto 2x36, GOMAgrupa, São Paulo, Brasil (2021). 

 

Deu palestras sobre seu trabalho em São Paulo, Tóquio e Lisboa. Tem um ateliê em São Paulo onde dá aulas de folha de ouro, modelo vivo e Butoh e é diretora do site Bigornaart. com.

 

A artista Sofia Saleme tem como sua principal ferramenta o desenho. É inicialmente com ele que percebe e retrata relações do seu corpo com o entorno. O desenho se estende então para a fotografia, o bordado, a cerâmica e o vídeo para desenvolver temas como a contemplação, a morte, a passagem do tempo, a regeneração do corpo e a quebra de tabus.

 

O conceito do Wabi-sabi a norteia: termo japonês para um tipo de vida que parte da impermanência, incompletude e imperfeição. As técnicas tradicionais que aprendeu no Japão – caligrafia, pintura com pigmentos naturais, inserção do ouro e a dança Butoh – a ajudam a aproximar esse conceito da sua realidade e da maneira como a artista encara o incômodo causado pela perda, excesso ou omissão da fala, e pela dor.

Artista visual, Talitha Rossi dedica-se a questões do ecofeminismo, modificação corporal, impacto das novas mídias na sociedade e na natureza das relações humanas. Performance, videoperformance, obras têxteis, poemínimos bordados sobre tecido, intervenção em cristais e criação de adornos, destacam-se como as principais linguagens na produção artística e aproximação de mundos.

 

Entre peles, tramas e fios, cria ritos experimentais de encantaria e empresta o próprio corpo para múltiplas personas estabelecerem conexões possíveis entre o corpo visível e suas forças do invisível.

De Tuxá de Rodelas, no interior da Bahia, Yacunã Tuxá é uma ativista e artista indígena que desde 2019 compartilha suas criações (ilustrações, colagens e desenhos) nas redes sociais, passando desde então a ganhar considerável notabilidade.

Nascida em 1993, desde criança mostrava certa inclinação para o desenho e linguagens.

Sendo filha de mãe professora e de pai agricultor, também neta de dois importantes líderes do Povo Tuxá, sempre mostrou interesse pelos estudos, luta e história do seu povo.

Na adolescência, toma entendimento sobre os conflitos territoriais que até hoje afligem a sua comunidade e passa a articular a juventude no intuito de construir uma frente de resistência junto às lideranças Tuxá.

Envolta nesses processos políticos, decide estudar Direito na Universidade Estadual de Feira de Santana. No entanto, na metade da graduação, decide retomar suas afinidades e abandona o curso.

Em 2015 se muda para Salvador, capital baiana, e logo ingressa no curso de Letras na Universidade Federal da Bahia onde estuda atualmente e compõe o UPOEI – União dos povos e articulação dos estudantes indígenas da UFBA.

Nesse meio tempo, Yacunã publica em seu blog  pessoal um texto intitulado “Mulher indígena e sapatão” onde compartilha a sua vivência enquanto uma mulher indígena que não segue os padrões heteronormados impostos pelo colonizador, passando a despontar como uma das importantes lideranças em defesa da causa indígena LGBTQIA+. Atualmente, compõe o Coletivo Tibira de indígenas LGBTQIA+.

Em 2019 encontra na arte sua principal ferramenta de luta, propondo um novo olhar para os indígenas contemporâneos que transitam entre os aldeamentos e as grandes cidades. Sua obra é potencialmente influenciada pela espiritualidade, memória e sabedoria das anciãs de seu povo, figurando como inspiração central a sua bisavó materna Maria Barroso.

Em setembro de 2020 estreou como ilustradora freelancer, ilustrando uma matéria sobre rap indígena para a revista Vogue Brasil e, a convite da revista CLAUDIA, publicou uma ilustração no Ponto Final, espaço dedicado a escritoras e artistas que refletem sobre temas da contemporaneidade e das vivências femininas.

Yacunã, no momento, compõe a exposição Véxoa: Nós sabemos que  reúne 23 artistas/coletivos indígenas de diferentes regiões do país. A exposição  é dedicada à produção indígena contemporânea, com curadoria da pesquisadora indígena Naine Terena, e está disponível para visitação na Pinacoteca de São Paulo.